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Medicina, minha maior aventura!

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As mudanças pela quais passei pela minha vida refletem muito quem sou. Sempre fui sonhadora, queria mudar o mundo, ajudar a todos; mas também, tenho meus defeitos, sou cabeça dura e ansiosa ao extremo! Minha cabeça não para um segundo, já tenho planos até para outras vidas. Enfim, muita coisa mudou daquela menininha dengosa que sonhava em mudar o mundo, hoje aprendi que “devemos ser a mudança que queremos ver no mundo”. Minha trajetória não foi fácil, como todos pensam. Saí de casa cedo em busca do meu primeiro sonho, menor de idade, fiquei aproximadamente 16 mil km de distancia da minha família e amigos, sem conhecer ninguém, sem saber falar muito bem a língua. O período que passei longe, sofri, chorei, pensei que voltar para o colo dos meus pais inúmeras vezes mas foi a experiência mais incrível da minha vida! Virei mulher cedo, aprendi que precisamos ter responsabilidades, que as contas não se pagam sozinhas e que se você não arrumar a casa vai continuar suja, que se você não lavar roupa, as limpas acabam uma hora. Fiz amigos que mesmo com essa distancia parecem estar muito próximos, que pra sempre levarei em meu coração.

Após voltar ao Brasil, fui à busca do meu segundo sonho: cursar Biologia Marinha. Apesar de sempre sonhar em ser “cientista de tubarão”, como explicar entrar na faculdade sendo ainda uma simples adolescente e se ver fazendo algo que pensei que fosse para o resto da minha vida. Nos anos da faculdade, também sofri, apensar de estarem mais perto dos meus pais e mais próximo do meu melhor amigo, as responsabilidades só aumentaram. Estudo, trabalho, provas, trabalho de faculdade, pressão, viagens… Nesse meio fiquei doente, mais uma mudança e uma longa batalha. Conheci pessoas incríveis, tive professores que me inspiro até hoje, também conheci pessoas que aprendi a não ser como elas. Viajei. Viajei como jamais sonhei, tomei café da manhã em um país, almocei em outro e dormi em outro. Experiências que palavras não conseguem explicar. Formei-me. Mudei de cidades e de países. Sorri. Chorei. Ajudei muitas pessoas. Até que resolvi mudar. A pergunta que mais me fazem é: “Como assim? Você tinha uma vida estável, viajava o mundo seu sonho não era ser bióloga? E largou tudo para cursar medicina?” Sim, renunciei inúmeras coisas para cursar medicina. Com minhas viagens fiz inúmeros trabalhos voluntários ao redor do globo e percebi que eu poderia ser a mudança que queria ver no mundo. E a biologia marinha também foi uma grande influenciadora.

Mudanças, a gente acerta de um lado, erra do outro, corrige quando dá. Meu “quebra cabeça” estava montado e de repente decidi começar outro, ou melhor, aumentar o qual já estava pronto. Cada peça representou uma grande mudança, desde o momento no qual decidi em abdicar minha “vida perfeita” (como muitos dizem). Não foi fácil, nenhuma mudança é confortável afinal de contas o período de ganho e experiência é o mais difícil, ter que voltar a estudar português, química, física, matemática, historia e geografia que fazia anos que não via para poder passar no vestibular foi um momento muito complicado. E a primeira grande mudança foi a mais difícil, por onde começar? vai valer a pena? Prestar vestibular foi à decisão mais importância em um momento de incerteza. O medo de não passar. A concorrência esmagadora. Mas depois de muito estudo e renuncia, veio a recompensa, recebi uma das melhores ligações da minha vida: FUI APROVADA!

Novamente, mudei de cidade, de casa… Conheci pessoas que levarei para sempre no meu coração. Depois, mais uma mudança, consegui transferência para a cidade dos meus pais. Voltei pra casa depois de uma década. Mais uma mudança, já estava acostumada com a minha primeira faculdade de medicina, cresci em torno de algo que me manteve firme nessa nova etapa, a amizade. Fiz amigos, uma nova família que me ensinou a abraçar a vida da alegria e na dor e que me mostrou que nunca estive sozinha em momento nenhum. Sei que trilhei um caminho distinto, mas há de ficar no meu coração cada um dos amigos que fiz. Porque nem o tempo nem a distancia pode apagar os momentos que vivi, as alegrias que compartilhamos em ser aprovadas na prova de anatomia e principalmente a cumplicidade que construímos.

Mudança… Voltei para casa. Conheci novas pessoas. Fiz novos amigos. Precisei me readaptar a absolutamente tudo, nova faculdade, novo sistema, voltar pra casa. Meu Deus! Voltar a viver com meus pais. Por mais que sentia saudade deles, voltar a morar junto com eles. Tive mais medo do que quase ser atacada por um leão. Sei que eles também estavam com um pé atrás, pois sai de casa uma menina e estou voltando uma mulher. Como lidar? Não foi fácil para ambos os lados.

Mudança. Fui parar do outro lado do mundo novamente, em um país completamente diferente de todos que já tinha passado/ morado. Taiwan. Mas agora para uma experiência que nunca tinha imaginado. Não fui como bióloga, fui como futura médica. Mal sabia falar uma palavra em mandarim, estava com medo de chegar e ninguém saber falar inglês. Ia ficar quase dois meses em um hospital trabalhando sem saber quase m*rda nenhuma de medicina. E agora? Bom, mais uma vez aceitei esse desafio. Aprendi muito! Como aprendi. Aprendi medicina, tive mestres que são um exemplo a ser seguidos e além de tudo aprendi exatamente o que quero e como quero ser. Foram dias que eu chorei e minha mãe não viu, trabalhei de domingo a domingo, plantões de 36 horas, cirurgias, ambulatórios, mal tinha tempo pra comer, dormir? O que é isso? Prova em mandarim, Meu Deus, onde coloco meu nome? Esse tempo que passei na Ásia foi uma experiência sem igual porque até daquele momento eu estava preocupada em ser medica, em aprender a profissão. Vivenciei casos graves, pacientes que foram a óbito na minha frente e familiares que experimentaram a dor do luto, mas também presenciei casos de nascimento, de vida, de alegria e de cura. O fato é que durante esse tempo Deus foi essencial para me mostrar que antes de ser médica precisei saber o que é ser paciente, saber o que sente alguém quando entra no hospital. Saber que medicina é doação é entregar-se, é empatia. Coloquei em pratica um ensinamento “Os rios não bebem sua própria água; as árvores não comem seus próprios frutos. O sol não brilha para si mesmo; e as flores não espalham sua fragrância para si. Viver para os outros é uma regra da natureza. A vida é boa quando você está feliz; mas a vida é muito melhor quando os outros estão felizes por sua causa”.

E depois de tantas mudanças, qual foi à conclusão? Apesar de tantas mudanças nunca deixei de ser quem sou nunca deixei de ser quem meus pais me ensinaram, tudo o que fiz e que irei fazer foi guiado pelo amor incondicional deles. Porque se eu sofri na minha caminhada, tenho certeza que eles sofreram o dobro. Se eu suei todos esses anos, eles suaram o dobro. E se eu sonhei esses anos, eles sonharam comigo, abrindo mão até dos seus próprios sonhos. E é com esses ensinamentos e amor que eles sentem por mim sei que serei uma profissional humana, que farei meu trabalho com nobreza e determinação. Outra conclusão que cheguei, foi que pular de paraquedas, saltar em abismos, mergulhar com tubarões sem jaula, escalar montanhas, ficar 30 dias no deserto tendo que fazer um buraco para ir ao banheiro, ficar presa em uma caverna congelada, comer comidas que até hoje eu não sei o que era, ficar em uma barraca no meio da savana africana, entre outras aventuras que passei nas quais seria impossível citar todas aqui… Cursar medicina, esta sendo a minha maior aventura!

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